Somos pessoas de Fé?
O que é a fé para você? Para grande parte das pessoas a fé é
aquela fé cega, aquela que aprendemos nos modelos católicos e de algumas outras
religiões.
A fé cega pode ser considerada como um primeiro passo da fé
que vamos tratar ao final desse texto, pois ela te coloca o desafio inicial de
confiar em algo que nós não vemos. E essa confiança deve ser plena, deve ser
independente da nossa razão. Basicamente, é a fé que nos faz acreditar que os
milagres acontecem simplesmente por tê-la. Uma característica muito comum de
quem tem esse tipo de fé para si é a de terceirizar a própria vida. Então vemos
as pessoas falando coisas como “esse desastre aconteceu porque Deus quis assim”,
“eu consegui esse emprego porque Deus ajudou”, “agora eu estou com um câncer de
pulmão, mas Deus vai me ajudar a parar de fumar e vai me curar”.
E muitas pessoas param por aí. Os que não param, geralmente,
passam para o modelo de fé raciocinada, que é pregado por religiões como o
espiritismo, por exemplo. Esse seria um segundo passo. Então diferente de
colocar toda a responsabilidade na divindade em que se acredita, a pessoa da fé
raciocinada vai buscar os porquês. Os milagres já não são exatamente milagres,
são fenômenos com explicação. Os acontecimentos da vida já não são somente pela
vontade de Deus, mas consequências de nossos próprios atos, atos esses que não
se limitam a uma só vida, mas sim de tudo que já fomos. Porém, quem tem a fé
raciocinada geralmente tem pensamentos de impureza do ser humano. O ser humano
é impuro, tem o mal dentro de si e está passando tudo isso para se depurar,
para evoluir, para um dia (dia esse que está muito distante) ser divino. Uma
coisa complicada da fé raciocinada é que, geralmente, perdemos uma parte
importante da fé cega, que é exatamente o acreditar que algo pode acontecer
pela sua fé. Então se eu sou um devedor, um ser que não é divino e está pagando
pelos seus erros, eu não vou merecer um milagre. E as coisas boas que me
acontecem, só acontecem para me testar ou porque eu tive boas ações e as estou
colhendo.
Em particular, eu passei por esses dois modelos. Em grande
parte da minha vida, eu fui uma pessoa extremamente religiosa e, até hoje que
eu não tenho uma religião fixa, eu me considero uma pessoa muito
espiritualizada. Quem me conhece mais de perto, sabe que a espiritualidade está
em uma parte massiva da minha vida. Porém, em 2014, eu descobri que eu sou uma
pessoa sem fé, ou de pouca fé. Nessa época eu fazia parte do time da fé
raciocinada e pensava que a minha falta de fé estava exatamente na parte que eu
havia perdido da fé cega.
Pois bem, foram
alguns anos de lá para cá entendendo que tudo que eu passava tinha um motivo e
que esse motivo era eu mesma. Então adentrei o mundo do autoconhecimento! Já
que eu era a causa de tudo da minha vida, eu decidi me conhecer com
profundidade, assim eu poderia entender como mudar os padrões em mim e
finalmente mudar a minha vida. O autoconhecimento faz parte da fé raciocinada, mas
é um terceiro passo que nem todos que tem a fé raciocinada tomam com
comprometimento. Bom, estou nesse processo há um tempo já e, até os dias
recentes, nas minhas verificações eu ainda seria uma pessoa sem fé.
O interessante é que, nesse tempo todo, eu ouvia por todos
os lados (na numerologia, dos guias, dos professores) que para eu ter fé, eu
teria que ter fé em mim primeiro, confiar em mim. E eu achava que isso tinha a
ver com o fato de que se eu não acreditasse em mim, eu não poderia me perdoar,
não poderia me libertar, para chegar naquele nível de “evolução” que eu ia
começar a merecer mais e pagar menos.
Mas onde está Deus nesse raciocínio? Aí Deus é só o Criador,
que está lá tranquilo assistindo a minha “evolução”. Ele poderia até me dar uma
mão se eu pedisse com fé, mas eu era uma pessoa sem fé. Então a coisa era
continuar me conhecendo e tentar ser, a cada dia, uma pessoa melhor, para poder
sofrer menos. Em um ponto dos meus estudos, eu conheci a linha de raciocínio de
que somos todos Deus. De que somos parte do Criador e só não nos lembrávamos
disso. Mas isso para mim era algo que eu só conseguiria por em prática quando
me iluminasse (lembrando que essa parte poderia levar umas muitas encarnações,
então eu não iria entender que Sou Deus por um bom tempo).
E então, recentemente, tudo começou a mudar e esses
raciocínios e tipos de fé começaram a se encaixar como um quebra cabeças! O que
me ajudou a entender melhor esse quebra cabeças foi um texto que li pela
internet, que dizia ser do Osho, mas eu não verifiquei se realmente era, e
nesse texto ele dizia que um Deus perfeito não faria sentido com uma Criação
Imperfeita. Então se Deus é perfeito, como ele criou um ser imperfeito? E a
sacada toda foi aí...nós somos perfeitos (pareceu tão óbvio depois), nós só não
ACEREDITAMOS nisso. Não temos FÉ na nossa perfeição. Então fazemos isso tudo
que fazemos desde milhares de anos, ou mais, para justificar a nossa
imperfeição. Inclusive temos sistemas complexos de reencarnação, Karma, Leis e
mais Leis Universais para justificar nossa imperfeição. Claro que esses
sistemas são muito importantes, pois eles também são caminhos que nos ajudam a
recordar nossa perfeição Divina.
E então finalmente eu entendi que para eu ter Fé em Deus, eu
tenho que ter Fé em mim. Se não, eu já estou afirmando que eu não sou o Divino
e, consequentemente, eu afirmo que Deus é falho e um Deus falho não sustenta
uma Fé plena.
E esse é o passo da fé mais distante que eu posso
compartilhar com vocês! Pois é onde eu estou. E entre o entender ser divino e o
ser divino tem mais alguns passos (eu acho), que eu espero poder compartilhar
com vocês ainda nessa vida =)
Uma parte desse texto foi baseada no meu caminho, mas não
quer dizer que para você os passos serão os mesmos e muito menos as
experiências, o único que eu afirmo é que um bom caminho é o autoconhecimento, juntamente com a busca pelo divino dentro e não fora de nós.
Ficou com dúvidas ou quer saber mais? Pode postar aqui no
blog, ou entrar em contato pelos seguintes meios:
Gratidão por ler até aqui.
Tatiana Rocha - Guiando pelo caminho interior

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