Autocobrança excessiva: o que pode causá-la?
Eu tenho um processo muito enraizado em me cobrar e percebo
que uma boa parte desse processo está fundamentada em achar que eu poderia ter
feito melhor e outra grande parte na dificuldade de aceitação de algumas
características ou processos. Então nesse texto, vamos falar sobre essas duas
questões que podem gerar a Autocobrança excessiva.
É ruim que queiramos ser sempre melhores? Não, aliás, é
ótimo, desde que entendamos nossas possibilidades reais. Todos nós temos um
modelo de como queremos ser, seja em questões físicas, financeiras, familiares
ou espirituais, mas esse modelo, geralmente, trata-se de algo ideal, de algo
difícil (ou até impossível) de ser alcançado em curto prazo. E geralmente não
somos muito pacientes não é?
Imagina só, quando temos um modelo que, de maneira factível,
pode ser alcançado em alguns anos, mas queremos alcançá-lo em meses. Iremos nos
considerar “fracassados” com frequência, pois não vamos alcançar o que queremos
no tempo que queremos. Então as primeiras dicas são que tracemos nossos
objetivos com uma meta de tempo possível e que possamos dividir esses objetivos
em fases, assim a cada fase teremos algo mais “palpável” e mais simples de
cumprir.
Por exemplo, uma pessoa sedentária que quer correr uma
maratona de 10 km. É possível estar correndo os 10 km em poucos dias? Pouco
provável. Mas se há uma expectativa distorcida do cumprimento da meta, essa
pessoa pode começar a se cobrar a cada dia por não estar correndo 10 km, sendo
que ela acabou de sair do sedentarismo. Isso vai fazer com que ela se frustre e
desista ou que ela acabe se machucando por não respeitar suas possibilidades.
Agora se essa mesma pessoa resolve começar com a meta de uma
caminhada de alguns quilômetros, por alguns dias, ela vai conseguir. Depois
pode aumentar para algumas corridas leves intercaladas com caminhada por mais
alguns dias. Novamente ela vai conseguir. E se, aos poucos, ela for
estabelecendo metas simples em prazos curtos ou médios, ela vai conseguir, no
longo prazo, fazer a sua corrida de 10 km.
Assim, querendo sempre melhorar, mas tendo metas factíveis,
a Autocobrança diminui e o aproveitamento do seu potencial é muito maior.
Agora, imagine que essa pessoa tem um problema sério de
joelho. Ela vai conseguir correr 10 km, mesmo que em longo prazo? Novamente,
pouco provável. Mesmo que ela se esforce e divida as metas, o corpo dela não
permite que ela corra por 10 km. Nesse caso, é necessário que haja aceitação de
uma limitação. E se não houver essa aceitação, ela pode começar a se cobrar por
algo que ela nunca vai atingir. Novamente vem a frustração, a desistência, ou a
possibilidade de se machucar.
Quando temos limitações (nossas ou externas) precisamos
rever nossas metas. Podemos achar outros potenciais em nós mesmos e seguir por
um novo caminho, ou podemos procurar algo que nos ajude a sanar as limitações.
No caso da pessoa com problema no joelho, ela pode buscar um esporte de baixo
impacto que esteja dentro do que seu corpo permite, ou buscar um tratamento
para o joelho.
Assim, ao aceitarmos nossas limitações, começamos a nos
cobrar menos e ficamos mais livres para tomar ações que deem resultados.
Esse exemplo foi muito simples, mas podemos estendê-lo para
todas as situações em que nos cobramos em excesso. Nos perguntamos se estamos
com metas e prazos desproporcionais e se temos alguma limitação. E assim,
ajustamos o rumo e nos tornamos mais produtivos, mais satisfeitos e podemos
alcançar estágios que nem imaginávamos serem possíveis.
É muito importante observar esse processo de Autocobrança,
pois ele pode desencadear situações muito prejudiciais, como crises de
ansiedade, tristezas, depressão, entre outras. Se você sofre de algum desses
processos, vale a pena verificar se não há uma cobrança excessiva no seu dia a
dia.
Ficou com dúvidas ou quer saber mais? Pode postar aqui no
blog, ou entrar em contato pelos seguintes meios:
Gratidão por ler até aqui.
Tatiana Rocha - Guiando pelo caminho interior

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