Perdão e Autoperdão
O Perdão é uma das qualidades que temos que desenvolver para
chegarmos ao Amor Universal (aquele Amor que Jesus e tantos mestres ensinaram e
ensinam). Perdoar é algo muito profundo e complexo. Na maioria das vezes em que
dizemos que perdoamos a uma pessoa, na verdade somente paramos de “remoer” a
situação, mas não perdoamos verdadeiramente, isso porque continuamos nos
sentindo vítimas.
Enquanto houver o padrão de vítima e algoz, não há perdão. O
perdão verdadeiro vai acontecer quando, além de umas coisinhas mais que vamos
tratar adiante, percebemos que a situação (ou situações) ocorreu por limitações
nossas e da pessoa. Que naquele momento o outro era quem ele poderia ser e nós éramos
quem poderíamos ser.
Para ajudar na quebra do padrão “vítima e algoz”, olhamos
também para as vidas passadas. Nós não sabemos o que já passamos com as outras
pessoas em outras vidas, então quando sofremos por algo que alguém fez, não
podemos simplesmente apontar a pessoa como algoz, pois podemos estar
simplesmente recolhendo um karma nosso.
Temos casos na Psicoterapia Reencarnacionista, e certamente
em outras escolas que tratam de vidas passadas, em que a pessoa tinha um
desafeto com alguém e em Regressão foi mostrado que, em outra vida, a pessoa
tinha feito algo muito ruim para esse desafeto da vida atual. E a partir daí,
muda-se a visão de quem é vítima e quem é algoz.
Mas esse é um primeiro passo, pois quando levamos isso ao
infinito, não há vítima e não há algoz. Já fizemos e recebemos tanto “mal” de
tanta gente, que nem vale a pena computar (nem faz sentido), pois, voltando ao
raciocínio anterior, cada um oferece o que tem em si, então essas situações
ocorridas não poderiam ter sido diferentes.
E aí entramos em uma grande “pedra no sapato” do Perdão. A
Culpa.
Aquela famosa, que carregamos dentro de nós há tanto tempo
que já faz parte do nosso raciocínio básico. Ela reforça o mecanismo “vítima e
algoz”, porque nós julgamos que um lado é sempre mais culpado que o outro. Então
que tem mais culpa é o algoz e quem tem menos culpa é a vítima.
Nosso mecanismo julgador acha que tem direito e sabedoria
para dizer quem é culpado de que, sendo que, mais uma vez, nós não sabemos a
história toda, pois só nos lembramos da vida atual. E quando lembramos que cada
um só dá o que tem em si, faz mesmo sentido culpar alguém? Além disso tudo, há
o que falamos no texto do Autoconhecimento: somos responsáveis por
absolutamente tudo que ocorre em nossas vidas. E essa autorresponsabilidade vai
ajudar, então, no Perdão.
Agora que trouxemos a responsabilidade em nossas mãos, temos
que tomar cuidado para não transferirmos a culpa que colocávamos no outro para
nós e a transformar em Autoculpa. A autoculpa nos impede de mudar, porque ela
nos faz sofrer tanto, que não conseguimos olhar para a situação e deixamos como
está. Ao deixarmos como está, podemos acabar repetindo o que nos gerou a culpa
e nos culpamos de novo. Assim a coisa toda vira uma bola de neve gigante e nós
não mudamos nunca.
Em lugar da autoculpa, cabe o arrependimento. Esse é o
mocinho da história. Pois, quando nos arrependemos, nos propomos a mudar.
Arrepender-se é exatamente ter clareza da situação, da sua responsabilidade e
se dispor a não repetir o ato. Geralmente o sucesso não é na primeira
tentativa, repetimos nossos “erros” algumas vezes até conseguirmos mudar, mas o
propulsor da mudança é o Arrependimento e não a Culpa.
Mas, por que eu estou falando disso? Porque tem mais uma
chavezinha para o Perdão.
Para perdoarmos alguém, temos que nos perdoar primeiro. Veja
bem, muitas vezes o que impede de conseguirmos tomar a responsabilidade em
nossas mãos é exatamente esse processo da Autoculpa. Nosso sistema já sabe que
se tomamos a responsabilidade, nos culpamos e sofremos. Então para evitar esse
sofrimento continuamos nos sentindo vítimas (que é um sofrer muito mais
suportável, pois o culpado é externo) e não vamos perdoar o algoz.
Resumindo. Temos um mecanismo de autoculpa muito enraizado
em nós, portanto quando tomamos a responsabilidade, geralmente nos culpamos em
vez de nos arrependermos. Essa autoculpa causa um sofrimento muito grande,
então para não passarmos por esse sofrimento, nos protegemos culpando o outro.
Ao culpar o outro, o tornamos algoz e assumimos o papel de vítima. Enquanto nos
mantemos como vítimas, não perdoamos.
Por isso que o verdadeiro Perdão é tão difícil e por isso
que a chave para ele ocorrer é se perdoar primeiro.
Então a dica final é: quando temos de perdoar alguém,
primeiramente nos perguntamos “onde eu acho que tenho culpa?”. E a partir da
resposta, vamos iniciando o processo para o Perdão.
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Gratidão por ler até aqui.
Tatiana Rocha - Guiando pelo caminho interior

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