Relacionamentos afetivos, uma grande ferramenta de autoconhecimento
Primeiramente, vamos contextualizar o relacionamento afetivo
em si. Essa é uma das maiores escolas que temos nesse Plano material, ela nos
coloca em contato com muito do que temos que melhorar em nós, pois espelhamos
muito de nós nos nossos companheiros e companheiras.
Para algumas coisas que eu vou tratar no texto ficarem mais claras, preciso fazer um adendo rápido.
O outro, nada mais é que uma projeção
das nossas percepções daquela pessoa. Isso porque nós não somos capazes de
conhecer verdadeiramente o outro. Então temos percepções, achamos que a pessoa
é de tal jeito, com tais características, que foi o que conseguimos coletar com
a convivência. Vamos chamar isso de “Modelo”. Então para cada pessoa que
conhecemos, temos um Modelo dela na nossa cabeça. Esse Modelo pode se mais ou menos fidedigno, ou seja, pode
ser que o Modelo que criamos da pessoa seja parecido com o que a pessoa
realmente é, ou pode ser que ele seja um Modelo distorcido.
Agora voltando aos relacionamentos afetivos, geralmente
começamos na paixão e nessa fase o nosso Modelo do parceiro(a) está bem
distorcido e um tanto idealizado. Mas o tempo vai passando e a convivência vai
dando sinais de que “não é bem assim”. Vamos percebendo que aquela ideia que tínhamos
da pessoa é pouco real e chegamos à fase da desilusão.
Essa é uma fase muito delicada, muitos casais se separam aí.
O mecanismo padrão é que começamos a culpar o parceiro(a) por não ser quem nós
idealizamos. Veja o quanto isso é estranho: nós montamos um Modelo idealizado
de alguém na cabeça, pois estamos apaixonados, e quando percebemos que esse
alguém não é aquele Modelo, ficamos bravos com a pessoa e muitas vezes queremos
que ela mude para se tornar o Modelo.
Nessa hora é preciso um pouco de calma. Para esse
relacionamento sobreviver, de maneira saudável, a fase da desilusão é crucial.
É nessa fase que vamos realmente avaliar o que aquela pessoa significa, o que
ela nos traz. Vamos nos perguntando como somos com ela e como somos sem ela.
Vamos avaliando tudo que nos incomoda na pessoa, lembrando que o que incomoda
no outro diz a respeito a nós e não a ela.
Essa é a hora de lembra as finalidades maiores de um
relacionamento afetivo: conhecermos a nós mesmos ainda mais e possibilitar mais
melhorias internas! É aquela velha lição “não podemos mudar ao outro, somente a
nós mesmos”. Então a fase da desilusão é a fase em que vamos decidir se tudo
que aquela pessoa nos faz perceber em nós mesmos e tudo que ela agrega nas
nossas vidas vale a pena.
Além dessa reflexão, é bom entendermos o que é um
relacionamento afetivo “pleno”. Um relacionamento pode ser de Dependência, de
Independência ou de Interdependência. O de dependência é bem comum, é o
relacionamento simbiótico, que muitas vezes não é feliz, mas em que as pessoas
alimentam uma a outra e não conseguem sair disso, pois parece mais doloroso
sair do que ficar. O de independência já é um pouco menos comum e é aquele
relacionamento em que um não depende do outro, cada um é um ser completo dentro
do relacionamento e cada um tem seu caminho, apesar de estarem juntos. Já o de interdependência
é mais raro, mas também é o mais adequado. É aquele relacionamento em que dois
seres, já independentes, percebem que juntos são melhores que individuais.
Nesse relacionamento, 1+1 soma mais que 2. Um agrega ao outro e desperta o
melhor do outro.
Mas podemos perceber que para chegar a um relacionamento de interdependência
precisamos nos trabalhar certo? Pois ele é feito de dois seres inteiros e
independentes. Esse desenvolvimento pessoal pode ser feito, também, dentro de
um relacionamento. Então uma das questões que podem ser feitas no período da
desilusão é se esse relacionamento pode evoluir, seja da dependência para a independência,
seja da independência para a interdependência.
E claro, um dos principais ingredientes para passar pela
fase da desilusão é o Amor. Tem amor? Não posse, não orgulho, Amor. Se tiver
amor, terá Compaixão, isso vai ajudar a passar por essa fase e finalmente
chegar à fase da Realidade.
A fase da Realidade é a fase do relacionamento afetivo em
que não dependemos dos nossos Modelos para conviver e compartilhar com o
parceiro(a). Simplesmente aceitamos quem ele(a) é e o seu papel na nossa vida.
E além da aceitação, aproveitamos sua presença e tiramos as lições que temos
que tirar daquele relacionamento.
Por último, é importante lembrar que os relacionamentos
funcionam como outros assuntos das nossas vidas, enquanto não tiramos as lições
que temos que tirar, continuamos no mesmo padrão. Ou seja, se sairmos de um
relacionamento sem mudarmos em nós o que era possível mudar, vamos entrar em
outro relacionamento semelhante. Então, nesse quesito, não adianta querer
trocar de parceiro(a), que a pessoa seguinte vai trazer as mesmas coisas.
Esses processos todos podem ser difíceis com toda a
tendência ao romantismo que temos, mas não tem muito segredo, relacionamentos
estão aí para aprendermos e evoluirmos, o romantismo pode existir, claro, desde
que seja mais uma coisa a agregar ao relacionamento e não à idealização.
Ficou com dúvidas ou quer saber mais? Pode postar aqui no
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Gratidão por ler até aqui.
Tatiana Rocha - Guiando pelo caminho interior

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