Relacionamentos afetivos, uma grande ferramenta de autoconhecimento



Oi pessoal! Essa semana nosso texto vai falar sobre relacionamentos afetivos.

Primeiramente, vamos contextualizar o relacionamento afetivo em si. Essa é uma das maiores escolas que temos nesse Plano material, ela nos coloca em contato com muito do que temos que melhorar em nós, pois espelhamos muito de nós nos nossos companheiros e companheiras.

Para algumas coisas que eu vou tratar no texto ficarem mais claras, preciso fazer um adendo rápido. 
O outro, nada mais é que uma projeção das nossas percepções daquela pessoa. Isso porque nós não somos capazes de conhecer verdadeiramente o outro. Então temos percepções, achamos que a pessoa é de tal jeito, com tais características, que foi o que conseguimos coletar com a convivência. Vamos chamar isso de “Modelo”. Então para cada pessoa que conhecemos, temos um Modelo dela na nossa cabeça. Esse Modelo pode se mais ou menos fidedigno, ou seja, pode ser que o Modelo que criamos da pessoa seja parecido com o que a pessoa realmente é, ou pode ser que ele seja um Modelo distorcido.

Agora voltando aos relacionamentos afetivos, geralmente começamos na paixão e nessa fase o nosso Modelo do parceiro(a) está bem distorcido e um tanto idealizado. Mas o tempo vai passando e a convivência vai dando sinais de que “não é bem assim”. Vamos percebendo que aquela ideia que tínhamos da pessoa é pouco real e chegamos à fase da desilusão.

Essa é uma fase muito delicada, muitos casais se separam aí. O mecanismo padrão é que começamos a culpar o parceiro(a) por não ser quem nós idealizamos. Veja o quanto isso é estranho: nós montamos um Modelo idealizado de alguém na cabeça, pois estamos apaixonados, e quando percebemos que esse alguém não é aquele Modelo, ficamos bravos com a pessoa e muitas vezes queremos que ela mude para se tornar o Modelo.

Nessa hora é preciso um pouco de calma. Para esse relacionamento sobreviver, de maneira saudável, a fase da desilusão é crucial. É nessa fase que vamos realmente avaliar o que aquela pessoa significa, o que ela nos traz. Vamos nos perguntando como somos com ela e como somos sem ela. Vamos avaliando tudo que nos incomoda na pessoa, lembrando que o que incomoda no outro diz a respeito a nós e não a ela.

Essa é a hora de lembra as finalidades maiores de um relacionamento afetivo: conhecermos a nós mesmos ainda mais e possibilitar mais melhorias internas! É aquela velha lição “não podemos mudar ao outro, somente a nós mesmos”. Então a fase da desilusão é a fase em que vamos decidir se tudo que aquela pessoa nos faz perceber em nós mesmos e tudo que ela agrega nas nossas vidas vale a pena.

Além dessa reflexão, é bom entendermos o que é um relacionamento afetivo “pleno”. Um relacionamento pode ser de Dependência, de Independência ou de Interdependência. O de dependência é bem comum, é o relacionamento simbiótico, que muitas vezes não é feliz, mas em que as pessoas alimentam uma a outra e não conseguem sair disso, pois parece mais doloroso sair do que ficar. O de independência já é um pouco menos comum e é aquele relacionamento em que um não depende do outro, cada um é um ser completo dentro do relacionamento e cada um tem seu caminho, apesar de estarem juntos. Já o de interdependência é mais raro, mas também é o mais adequado. É aquele relacionamento em que dois seres, já independentes, percebem que juntos são melhores que individuais. Nesse relacionamento, 1+1 soma mais que 2. Um agrega ao outro e desperta o melhor do outro.
Mas podemos perceber que para chegar a um relacionamento de interdependência precisamos nos trabalhar certo? Pois ele é feito de dois seres inteiros e independentes. Esse desenvolvimento pessoal pode ser feito, também, dentro de um relacionamento. Então uma das questões que podem ser feitas no período da desilusão é se esse relacionamento pode evoluir, seja da dependência para a independência, seja da independência para a interdependência.

E claro, um dos principais ingredientes para passar pela fase da desilusão é o Amor. Tem amor? Não posse, não orgulho, Amor. Se tiver amor, terá Compaixão, isso vai ajudar a passar por essa fase e finalmente chegar à fase da Realidade.

A fase da Realidade é a fase do relacionamento afetivo em que não dependemos dos nossos Modelos para conviver e compartilhar com o parceiro(a). Simplesmente aceitamos quem ele(a) é e o seu papel na nossa vida. E além da aceitação, aproveitamos sua presença e tiramos as lições que temos que tirar daquele relacionamento.

Por último, é importante lembrar que os relacionamentos funcionam como outros assuntos das nossas vidas, enquanto não tiramos as lições que temos que tirar, continuamos no mesmo padrão. Ou seja, se sairmos de um relacionamento sem mudarmos em nós o que era possível mudar, vamos entrar em outro relacionamento semelhante. Então, nesse quesito, não adianta querer trocar de parceiro(a), que a pessoa seguinte vai trazer as mesmas coisas.

Esses processos todos podem ser difíceis com toda a tendência ao romantismo que temos, mas não tem muito segredo, relacionamentos estão aí para aprendermos e evoluirmos, o romantismo pode existir, claro, desde que seja mais uma coisa a agregar ao relacionamento e não à idealização.

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Gratidão por ler até aqui.
Tatiana Rocha - Guiando pelo caminho interior

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