Impermanência - muito além do "vai ficar tudo bem"
A Impermanência é um dos ensinamentos mais famosos de Buda
e, basicamente, consiste no fato de que nada dura nesse plano material em que
vivemos. Simples né? Nem tanto. Entender e viver a Impermanência, não consiste
somente no desapego material (uma vez que morremos e não levamos os bens
materiais), mas também no desapego de pensamentos, ideias, crenças,
relacionamentos, situações do dia a dia (felizes e infelizes), estados mentais,
saúde e, bom...desapego de TUDO.
Simplesmente porque tudo o que conhecemos e vivemos nesse
plano vai mudar. Tudo muda o tempo todo. E mesmo que alguma coisa pareça
permanente, não é. Pode levar milhares, milhões de anos, mas vai mudar. Então
por que nos apegarmos? Por que sofrer por algo que vai, inevitavelmente, acabar?
Primeiramente, vou deixar mais claro (de uma maneira
muitíssimo simplista) a relação da Impermanência, com o Apego e com o
Sofrimento. Buda dizia que todo o Sofrimento tem origem no Apego. Esse Apego
pode se traduzir também em Aversão (que seria o Apego de não ter aquilo).
Exemplo: Aversão de ser assaltado é o Apego em permanecer seguro. Enfim, Apego
e Aversão são dois lados da mesma moeda. Tudo na vida nós conseguimos
classificar na caixinha do Apego (o que queremos) ou da Aversão (o que não
queremos). No fim, tudo é Apego/Aversão, tudo gera sofrimento.
Tem aquela famosa frase “falar é fácil” e, particularmente,
quando se trata de Impermanência, nem falar é fácil, quanto mais fazer. Então
vamos desistir desse assunto e continuar nos papéis de sofredores na vida? Não!
Quem está nessa longa estrada da espiritualidade, em algum
momento, vai se deparar com esse conceito. Por mais que incorporá-lo totalmente
em nossas vidas seja muito difícil, começamos com um passinho de cada vez, assim,
uma hora chegamos lá (mesmo que, talvez, não nessa encarnação).
E qual é o primeiro passinho? O que for mais fácil para
você. Como eu sempre repito aqui, cada um tem seu caminho e nem todo começo é
igual para todo mundo. Mas vou dar alguns exemplos que pode gerar identificação
ou inspiração.
Nas situações em que me sinto ansiosa, lembrar que a
Impermanência existe é um grande alívio e acalma minha ansiedade. Uma vez que a
ansiedade reduz, fico mais livre para olhar a situação de maneira objetiva e
tomar as ações necessárias para resolver o que me causou a ansiedade.
Quando me sinto mais ou menos que outra pessoa, recordo a
Impermanência. Somos mutáveis e com ideias mutáveis. O que me faz ter esse
sentimento, de superioridade ou de inferioridade, vai mudar e isso me ajuda a
voltar ao meu lugar de igual.
Quando estou doente ou sentindo uma dor física, recordo que,
também, isso é Impermanente. Isso me ajuda a não focar na dor e sim no processo
de cura.
Quando crio expectativas com relação a algo ou a alguém, relembro que tudo é Impermanente. Isso me ajuda a gerenciar essas expectativas e as possíveis frustrações.
Quando crio expectativas com relação a algo ou a alguém, relembro que tudo é Impermanente. Isso me ajuda a gerenciar essas expectativas e as possíveis frustrações.
Esses exemplos são de situações “incômodas” e existem tantos
outros “incômodos” na vida que a Impermanência ajuda a encarar. Mas a
Impermanência não está somente para mostrar que o que é ruim vai passar. Ela
não é aquele consolo “vai ficar tudo bem”, que usamos tanto. Impermanência nos
mostra que as situações boas também vão passar, que os altos e baixos existem.
Então, quando estivermos em momentos maravilhosos, é bom
lembrar que eles também passarão. Isso nos ajuda a manter a humildade, os pés
no chão, o foco no que é real. Mas principalmente, isso também ajuda a lembrar
que quando a próxima situação incômoda vier, nós vamos passar por ela e chegar
a outro momento maravilhoso.
Concluindo, a Impermanência por si só não resolve as
situações, mas nos liberta de diversas amarras, nos possibilitando realizar as
ações, mudanças e movimentos necessários.
Espero que esse texto, apesar de falar simplificadamente de
um assunto tão profundo, possa nos ajudar no nosso rumo a uma consciência mais
amplificada.
Ficou com dúvidas ou quer saber mais? Pode postar aqui no
blog, ou entrar em contato pelos seguintes meios:
Gratidão por ler até aqui.
Tatiana Rocha - Guiando pelo caminho interior

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